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M. Dias Branco estende metas ESG à remuneração de todos os colaboradores

Por Redação

30/10/2026 14h19

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Depois de aplicar o modelo à alta liderança, a fabricante cearense estende os indicadores de sustentabilidade à remuneração variável de toda a base elegível e faz da Agenda ESG 2030 uma meta de cada área

Na M. Dias Branco, a sustentabilidade deixou de ser um tema restrito ao relatório anual e passou a pesar também na remuneração. A fabricante de alimentos com sede em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, vinculou em 2026 os indicadores ambientais, sociais e de governança à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de todos os colaboradores elegíveis, ampliando uma política que até então alcançava apenas a alta liderança. A mudança foi revelada com exclusividade pela Exame.

O movimento é a etapa final de um percurso que começou em 2019, com o lançamento da Agenda Estratégica ESG, revisada dois anos depois. Em 2023, o Conselho de Administração aprovou a inclusão dos indicadores na remuneração e definiu, entre oito metas públicas de governança, o compromisso de estender esse vínculo a toda a base elegível até 2026. Antes disso, o modelo foi aplicado aos principais executivos: em 2025, o Rating da Agenda Estratégica ESG passou a responder por 10% da PLR do presidente, dos diretores executivos e estatutários e dos gerentes executivos.

Uma meta que caiba na rotina de cada área

Levar essa lógica para além da diretoria exigiu outro tipo de trabalho. A empresa mapeou as atribuições e responsabilidades de cada área para conectar os indicadores de sustentabilidade apenas aos resultados que cada equipe consegue, de fato, influenciar, evitando metas genéricas e distantes do dia a dia. O processo incluiu uma frente de comunicação interna para explicar como os novos critérios entram na avaliação de desempenho.

Em entrevista à Exame, Andréa Nogueira, diretora executiva de Gente, Gestão e Sustentabilidade e conselheira de administração da companhia, explicou que a intenção era menos criar um incentivo financeiro e mais transformar uma agenda estratégica em compromisso de gestão. Segundo ela, a experiência com as lideranças trouxe mais responsabilização, acompanhamento mais frequente dos indicadores e o envolvimento de diferentes áreas em uma pauta que antes tendia a ficar concentrada no time de sustentabilidade. A executiva, porém, faz uma ressalva: “Remuneração variável, sozinha, não transforma uma agenda de sustentabilidade”, afirmou, ao defender que o mecanismo só funciona combinado a estratégia, governança, acompanhamento, liderança e cultura.

O que está em jogo até 2030

A Agenda ESG 2030 reúne compromissos como reduzir em 20% as emissões absolutas dos escopos 1 e 2, chegar a 90% de energia renovável no escopo 2 e zerar o envio de resíduos para aterros. Na dimensão social, a meta é alcançar 40% de mulheres em cargos de liderança. Há também um compromisso com impacto direto na economia regional: realizar 80% das compras com fornecedores locais até o fim da década.

A companhia não divulgou o peso dos indicadores ESG na PLR dos demais colaboradores nem quantos dos seus mais de 17 mil funcionários participam do modelo. Líder nacional em biscoitos, massas e granolas, com marcas como Piraquê, Vitarella, Adria e Jasmine, a M. Dias Branco mantém 22 unidades industriais e 25 filiais comerciais, exporta para mais de 40 países e integra pelo sexto ano consecutivo a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3).