Com apoio da inteligência artificial, a PWR reforça um modelo de consultoria focado em execução e resultados
Durante muito tempo, boa parte do valor de uma consultoria empresarial esteve na capacidade de produzir diagnósticos detalhados e desenhar planos de ação. Hoje, quando ferramentas de inteligência artificial conseguem organizar bases de dados, gerar análises e identificar tendências em poucos minutos, o mercado vive uma mudança de paradigma: se a tecnologia entrega informação, o que passa a diferenciar um consultor?
Os números mostram que essa transformação já está em curso. Segundo o relatório The State of AI 2025, da McKinsey, 78% das organizações utilizam inteligência artificial em pelo menos uma função do negócio, enquanto 71% já adotam IA generativa regularmente em suas operações. Mais do que experimentar novas ferramentas, as empresas buscam formas de transformar dados em decisões mais rápidas e ganhos concretos de produtividade.
Nesse cenário, a consultoria também passa por uma reinvenção. Se a IA automatiza parte da coleta, organização e análise das informações, cresce o valor de profissionais capazes de interpretar cenários, apoiar decisões estratégicas e acompanhar a implementação das mudanças. Para a PWR, esse movimento reforça um modelo de atuação que a empresa afirma adotar desde sua fundação, em 2013.
“A essência não mudou uma vírgula. O consultor da PWR sempre ficou dentro da operação do cliente, ao lado do dono, até a coisa acontecer. Todo projeto tem um time com três frentes — gerente, pleno e operacional — vivendo a rotina do cliente por meses para entender o negócio e ajudar não só no planejamento, mas também na execução”, afirma Wilson Sá, sócio da PWR.
Segundo ele, o maior impacto da transformação digital não foi alterar a proposta da consultoria, mas ampliar sua capacidade de acompanhar os clientes em tempo real: “Em 2013 a gente acompanhava a execução com planilha e faro. Hoje acompanhamos com CRM próprio, relatórios de gestão mensais e painel comercial que qualquer sócio abre no celular. Crescemos de uma operação em Fortaleza para 11 portfólios e uma unidade em São Paulo. A promessa é a mesma de dez anos atrás, mas agora a gente enxerga tudo com muito mais agilidade”.
O avanço da inteligência artificial também mudou a rotina de quem trabalha diretamente com estratégia. O Microsoft Work Trend Index 2025 aponta que o uso de assistentes de IA vem reduzindo o tempo dedicado a tarefas operacionais, como consolidação de informações, elaboração de documentos e análise de dados, permitindo que profissionais concentrem seus esforços em atividades de maior valor agregado.
Na prática, isso desloca o papel do consultor. Em vez de concentrar esforços na organização das informações, ele passa a dedicar mais tempo à interpretação dos dados, à construção de cenários e ao apoio à tomada de decisão.
“Antes, um consultor gastava dias montando diagnóstico no braço, puxando DRE, DFC, funil, tabulando tudo na mão. Hoje ele cruza essas bases em horas e chega na reunião com o cliente já com a decisão para tomar, não com a planilha para fechar”, afirma Wilson Sá.
Na avaliação do executivo, o maior ganho está justamente na redistribuição do tempo de trabalho: “O ganho está em liberar o consultor do trabalho que pode ser automatizado para ele fazer o que máquina nenhuma faz, que é interpretar e decidir junto. E a análise preditiva muda o jogo do timing, porque, em vez de reagir a um número ruim no fim do mês, a gente vê o sinal formando antes”.

A capacidade de antecipação é outro reflexo da integração entre tecnologia e acompanhamento da operação. Em vez de reagir apenas quando os indicadores já mostram queda de desempenho, a combinação entre análise de dados e presença constante na empresa permite identificar sinais de alerta ainda no início.
Segundo Wilson Sá, o diferencial não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de cruzar essas informações com a vivência cotidiana da operação. “Quando a gente cruza o dado frio — como recompra caindo, ticket encolhendo ou pagamento atrasando — com a leitura de quem está na operação do cliente todo dia, a gente age na perda de receita antes dela virar cancelamento”, aponta.
Esse acompanhamento também mudou a forma como a PWR interpreta a perda de clientes e define as estratégias de atuação para cada situação. “Cancelar, chegar ao fim de contrato e reduzir o contrato são três problemas diferentes, com três respostas diferentes. Antes muita gente tratava tudo como ‘perdi um cliente’ e reagia tarde. Hoje a gente separa, prevê e intervém no estágio certo”, afirma Wilson.
Esse movimento também aparece em pesquisas internacionais. O AI Jobs Barometer 2025, da PwC, mostra que trabalhadores que utilizam inteligência artificial registram ganhos consistentes de produtividade e que competências como liderança, julgamento e tomada de decisão tornam-se ainda mais relevantes à medida que tarefas operacionais são automatizadas.
Para Wilson Sá, essa mudança representa uma transformação importante no próprio mercado de consultoria: “A IA não substitui a consultoria. Ela substitui a consultoria que só entregava relatório. Se o seu diferencial era compilar dados e devolver um PDF, você virou commodity porque a máquina faz igual, mais barato e mais rápido”.
Ao mesmo tempo, o executivo acredita que decisões envolvendo pessoas, cultura organizacional e gestão continuam exigindo algo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir:
“Mudar preço num mercado travado, mediar briga entre sócios, demitir alguém, convencer um dono com medo de não fechar a folha no dia 30… isso exige confiança construída, leitura da política interna e coragem para falar o que o cliente não quer ouvir. Nenhuma IA senta na mesa às dez da noite para segurar a mão do empresário, mas o consultor senta.”
Para os próximos anos, a expectativa é que a inteligência artificial continue reduzindo o tempo dedicado a tarefas operacionais, enquanto o consultor assume uma função cada vez mais voltada à interpretação de cenários, ao acompanhamento da execução e ao apoio às decisões estratégicas.
Na visão de Wilson Sá, essa mudança também altera o que o empresário deve esperar de uma consultoria: “O empresário brasileiro deveria parar de pagar por relatório e diagnóstico. O que vai valer é execução acompanhada e resultado. Quem vende papel vai sofrer; quem senta do lado e faz acontecer, agora com dado na mão, vai valer mais do que nunca.”
