Economia

Nordeste é o 2º maior mercado de FIDCs do Brasil, aponta estudo

Por Redação

08/06/2026 10h30

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O Nordeste está reescrevendo seu papel no sistema financeiro brasileiro. Um levantamento do Grupo IOX revela que a região já responde por 9,3% das operações de crédito privado estruturado no país, consolidando-se como o segundo maior mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do Brasil. A posição é inferior apenas à do Sudeste, que concentra 77,8% das operações, e superior à do Sul, que responde por 8,2% do total.

O dado não é apenas estatístico. Ele sinaliza uma mudança relevante na geografia do capital no Brasil e abre uma janela de oportunidades para empresas, investidores e gestoras que atuam fora do eixo Rio-São Paulo.

Os FIDCs são instrumentos de crédito estruturado que antecipam recebíveis de empresas, transformando créditos futuros em capital imediato. Para pequenas e médias empresas, essa alternativa tem se tornado cada vez mais estratégica em um cenário em que o crédito bancário tradicional segue caro e seletivo. Com a Selic em 14,5%, o custo do crédito bancário pressiona as operações e amplia o espaço para estruturas alternativas como os FIDCs.

O crescimento regional acompanha um movimento mais amplo de interiorização do mercado de crédito privado no país. Boutiques regionais vêm ampliando participação ao estruturar operações próximas ao mercado local, oferecendo soluções mais alinhadas à realidade das empresas médias impactadas pelo crédito bancário mais caro.

Enquanto o setor de fundos como um todo registrou saídas líquidas expressivas, os FIDCs mantiveram trajetória oposta e lideraram as captações líquidas com R$ 4,5 bilhões em abril de 2026, segundo dados da ANBIMA. O contraste reforça a solidez do instrumento e a confiança crescente do mercado nessa classe de ativos.

O perfil do investidor também mudou. Para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, o mercado amadureceu e o investidor passou a priorizar a tese, o lastro e o modelo de governança da operação, e não apenas a taxa. O grupo que ele lidera encerrou o último ano com expansão de 135%.

No Nordeste, setores como agronegócio, varejo, energia, infraestrutura e serviços têm ampliado a demanda por capital fora dos grandes centros. A estimativa é que cerca de 100 mil empresas de médio porte no Brasil enfrentem dificuldades de acesso a financiamento. No contexto regional, esse número representa tanto um desafio estrutural quanto uma oportunidade concreta para gestoras que souberem operar com proximidade e visão técnica.

Vicente Guimarães, diretor de Relações com Investidores do Grupo IOX, reforça que a descentralização é também uma necessidade técnica diante do novo ambiente de juros. “Em um cenário mais desafiador, quem domina análise técnica, fluxo de caixa e estruturação terá vantagem. Estruturas lastreadas e bem organizadas entregam previsibilidade”, afirma.

Com quase 10% de participação no mercado nacional e uma demanda reprimida por financiamento que ainda está longe de ser totalmente atendida, o Nordeste se posiciona como uma das principais fronteiras de crescimento para os FIDCs no Brasil. O movimento em curso não é apenas sobre números. É sobre o reconhecimento de que o capital, quando bem estruturado, encontra seu caminho onde há necessidade, capacidade produtiva e vontade de crescer.