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O fim da publicidade como interrupção e o início da publicidade como experiência cultural

Por Redação

20/08/2026 08h49

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Por Nicole Souza, diretora de criação da Alliance Produções

Durante muito tempo, a publicidade foi baseada na lógica da interrupção. Comerciais interrompiam programas de televisão, anúncios apareciam entre conteúdos e a atenção do consumidor era conquistada pela insistência. Entretanto, com o avanço da internet e das mídias sociais, esse modelo perdeu força. Hoje, as pessoas escolhem o que querem assistir, ler e consumir, tornando a publicidade tradicional menos eficaz.

Como afirmou David Ogilvy, considerado um dos maiores publicitários da história: “O consumidor não é um idiota. Ele é sua esposa.” Essa frase continua atual porque reforça que o público merece respeito, inteligência e comunicação relevante. O consumidor de hoje não aceita mais mensagens invasivas; ele prefere marcas que entreguem valor antes de tentar vender.

Um exemplo claro dessa transformação é a campanha “Real Beauty”, da Dove. Em vez de apenas divulgar sabonetes e cosméticos, a marca passou a promover discussões sobre autoestima, diversidade e beleza real. O resultado foi muito mais do que vendas: a campanha se tornou parte de uma conversa cultural, gerando identificação e fortalecendo o relacionamento com milhões de pessoas.

Na minha opinião, esse é o maior desafio da publicidade contemporânea: deixar de interromper para pertencer. As redes sociais aceleraram essa mudança, permitindo que marcas contem histórias, produzam entretenimento e criem experiências que as pessoas escolhem assistir, comentar e compartilhar espontaneamente.

Essa nova realidade também exige responsabilidade. Quando uma marca participa da cultura, ela influencia comportamentos, opiniões e tendências. Por isso, criatividade sem propósito já não é suficiente; é necessário agir com autenticidade, transparência e coerência.

Acredito que o futuro da publicidade pertence às marcas que compreendem que vender é consequência de construir conexões verdadeiras. Não é somente ocupar espaços entre um conteúdo e outro, elas precisam criar experiências capazes de emocionar, gerar identificação e permanecer na memória das pessoas.