Foto por: Falcão Jr.
Como gastronomia e economia criativa transformam identidade em estratégia econômica
Durante muito tempo, a imagem de Fortaleza esteve associada principalmente às praias e à paisagem que molda o litoral da cidade. Recentemente, no entanto, novos elementos ajudam a construir essa percepção. A gastronomia, a cultura e a economia criativa passaram a ocupar espaço central na forma como a capital se apresenta ao Brasil e ao mundo, transformando identidade e experiência em ativos econômicos.
A experiência deixou de ser um detalhe do roteiro turístico e se tornou parte da estratégia de posicionamento urbano. Comer bem, viver a cidade, consumir cultura e circular por ambientes que misturam tradição e inovação passaram a integrar a proposta de valor da capital.
Nesse cenário, gastronomia e economia criativa operam como engrenagens complementares da economia urbana. Elas geram emprego, ativam cadeias produtivas, fortalecem pequenos negócios e ajudam a consolidar uma imagem contemporânea de Fortaleza: uma cidade que transforma identidade em ativo econômico.

Para Taiene Righetto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel), o setor gastronômico vai além da função turística e ocupa papel central na dinâmica urbana:
“A gastronomia de Fortaleza é um dos principais pilares da nossa identidade econômica. Estamos falando de um setor que reúne mais de 25 mil estabelecimentos na cidade e gera mais de 159 mil empregos diretos, sendo porta de entrada para jovens e para pessoas que buscam sua primeira oportunidade no mercado de trabalho.”
Segundo o presidente, o impacto ultrapassa os limites do atendimento ao visitante e influencia diretamente o funcionamento da cidade:
“Mais do que complementar o turismo, bares e restaurantes estruturam a dinâmica urbana. Eles ativam bairros, ocupam espaços públicos de forma produtiva, geram renda distribuída e fortalecem cadeias como pesca, agricultura familiar, logística, bebidas e serviços.”
Na avaliação dele, é justamente essa conexão entre experiência e cultura local que consolida o posicionamento da capital:
“Fortaleza não é apenas um destino de sol e mar. Ela é um destino de experiências. E a gastronomia é o elo entre o visitante e a cultura local. Quando o turista consome em um restaurante, ele não leva apenas uma refeição, leva uma memória afetiva da cidade”, defende Taiene.

A secretária de Turismo, Denise Carrá, define o setor como engrenagem integrada da economia urbana.
“O turismo é um verdadeiro motor da economia, movimentando vários setores ao mesmo tempo, mesmo aqueles que não são ligados diretamente à atividade turística. De acordo com um levantamento feito pelo nosso Observatório do Turismo, da Secretaria de Turismo de Fortaleza, cada R$1 gasto por turistas na capital retorna à economia como R$1,37: é um efeito realmente multiplicador.”
Ela ainda ressalta que o impacto não se limita ao consumo imediato: “Quando falamos do impacto econômico do turismo, não consideramos apenas o dinheiro que entra na cidade simplesmente pelos gastos feitos por turistas. É o insumo que um restaurante compra de produtores locais para produzir os pratos, é a geração de empregos na rede hoteleira, a movimentação com transporte na cidade inteira. O turismo faz a economia girar”.
Identidade que diferencia
Se a experiência é vetor econômico, a identidade é o que sustenta a diferenciação. Taiene destaca que o diferencial competitivo da capital está na combinação entre produto regional forte e hospitalidade espontânea:
“Nosso diferencial começa no insumo com peixes e frutos do mar frescos, carne de sol, macaxeira, caju, rapadura, cachaça artesanal, e se completa na forma de servir: informalidade acolhedora, proximidade no atendimento e generosidade nas porções.”
Ele ressalta que essa base regional não é apenas simbólica, mas estruturante para o posicionamento da cidade:
“Temos ícones como o caranguejo às quintas-feiras, os pratos à base de camarão, a peixada cearense e as releituras contemporâneas da culinária sertaneja e litorânea, além de contar com rooftops, experiências pé na areia, e tudo isso contribui para o fortalecimento da nossa identidade.”

A cena gastronômica também dialoga com novos formatos e propostas autorais, ampliando a percepção da cidade como polo criativo e competitivo dentro do Nordeste. Para o influenciador gastronômico Virgílio Teixeira, a tradição permanece como eixo central dessa construção simbólica:
“Fortaleza vem inovando, com rooftops, muitos restaurantes autorais, asiáticos, parrillas… locais que oferecem uma verdadeira experiência. Mas, sem dúvida nenhuma, a nossa comida regional é o que melhor traduz a identidade da cidade para quem vem de fora. Uma boa caranguejada, aquela moqueca bem temperada, aquela carne de sol com queijo coalho e macaxeira, a boa panelada e vários outros pratos que não são simplesmente uma comida, mas uma tradição passada de geração em geração.”
Marca construída na vivência
Na dinâmica contemporânea, percepção também é ativo econômico. Em um ambiente altamente conectado, onde decisões de consumo são influenciadas por redes sociais, avaliações online e recomendações digitais, a experiência começa antes mesmo da chegada ao destino. A imagem projetada passa a interferir diretamente no fluxo de clientes, na ocupação dos estabelecimentos e na consolidação da marca da cidade.
Nesse cenário, criadores de conteúdo assumem papel estratégico na mediação entre negócios e público, transformando experiências em narrativas capazes de orientar escolhas.
“Eu enxergo o papel do influenciador como algo muito maior do que ‘mostrar prato bonito’. Nós ajudamos a construir percepção. E percepção constrói marca. Hoje, muita gente escolhe onde comer pelo Instagram. Quando um influencer mostra um lugar, ele encurta o caminho da decisão. Isso movimenta negócios locais e fortalece o cenário gastronômico”, afirma Virgílio.
Nesse contexto, a exposição digital funciona como porta de entrada para o consumo. No entanto, a consolidação do relacionamento com o público depende da experiência oferecida no atendimento, no serviço e na entrega do produto.
“Quando o cliente é chamado pelo nome, quando o garçom explica o prato com propriedade, quando existe cordialidade… É muito difícil as pessoas não voltarem”, pontua Virgílio.
Para Denise Carrá, cultura, sabores e hospitalidade compõem um posicionamento estratégico que vai além da promoção turística e integra uma construção consistente de marca territorial:
“Fortaleza é um destino único, é sem igual, como diz nossa campanha publicitária de promoção da cidade. Quem vem a Fortaleza pode aproveitar nossas praias, conhecer nossa cultura, encantar-se com a natureza em parques urbanos, provar nossos sabores e se apaixonar”, conclui.
Editorial apoiado pela Prefeitura de Fortaleza
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