O tempo tem sido assunto recorrente nos meus últimos artigos. Talvez porque eu tenha observado o quanto existe uma necessidade, quase compulsiva, de acelerar tudo, de antecipar decisões, encurtar processos, colher resultados, mesmo sem analisar as consequências desse movimento. É como se a pressa tivesse virado hábito. E realmente virou!
A “Era da Instantaneidade” tomou conta do nosso dia a dia. Vivemos sob a lógica do “agora”, do “já”, do “para ontem”. E, nessa busca desenfreada por eficiência, deixamos para trás algo essencial: a incubação criativa e a reflexão.
Pausas são necessárias. Tempo de maturação é necessário. Análise é necessária. Sem pausa, não há profundidade. Sem maturação, não há criatividade nem muito menos “originalidade”. No universo das marcas, isso é ainda mais sensível. E confesso: dá vontade de escrever um manifesto sobre o tema.
Branding exige método. Exige métricas. Exige acompanhamento de resultados. Mas exige também reflexão, análise e experimentação. Tudo isso demanda tempo. Como desenvolver uma marca sem gestá-la? Como evoluir uma marca sem respeitar seu ritmo de amadurecimento e sua construção de vínculo com colaboradores, clientes e parceiros?
Marca precisa ser confiável. E confiança, como já dizia a minha avó, só se constrói com o tempo. Por isso, não existe atalho para a reputação. Por isso, acredito que estamos vivendo uma crise do tempo na construção de marcas. Queremos performance antes de identidade e impacto antes de significado. Essa conta não fecha nunca.
E se tudo deve ser feito “para ontem”, o que estamos construindo para durar? Com certeza, não são marcas.


