Por Claudyane Oliveira, jornalista especialista em assessoria de comunicação e fundadora da Cláusula Comunicação
“Alô, posso pedir uma música?”, a frase atravessa gerações e traduz a força simbólica de um meio que se transforma sem perder sua essência. Do dial ao digital, do AM/FM ao streaming, do aparelho ao smartphone, os formatos mudaram, mas o rádio permanece como conexão, credibilidade e presença real na vida das pessoas.
Hoje, 13 de fevereiro, o mundo celebra o Dia Mundial do Rádio, data instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), durante a 36ª Conferência Geral da organização. Mais do que uma homenagem simbólica, a data reconhece o rádio como um dos meios de comunicação mais democráticos, acessíveis e transformadores da história da humanidade.
O rádio segue presente no cotidiano de 79% dos brasileiros dos grandes centros urbanos. Os dados são da pesquisa 48º Data Stories – Inside Audio 2025, realizada pela Kantar IBOPE Media, e confirmam o que a experiência cotidiana já revela: o áudio não é apenas mídia. É presença. É construção de marca. É resultado. E está mais vivo do que nunca na jornada do consumidor.
O meio radiofônico segue sendo memória afetiva e estratégia de comunicação. Informação, emoção, diversão e companheirismo se entrelaçam em uma experiência que cria vínculo, pertencimento e confiança.
Segundo o estudo, a força do rádio também é territorial. No Nordeste, Fortaleza registra 81% de alcance, com 3h37 de escuta diária, seguida por Salvador, com 74%, e Recife, com 73%. No Centro-Oeste, Goiânia chega a 84%. No Sul, Porto Alegre e Florianópolis alcançam 84% e 82%, respectivamente. No Sudeste, Belo Horizonte lidera com 87% e o Rio de Janeiro, com 80%, registra média de 4h15 de consumo diário. Esses números revelam que a robustez local do rádio constrói sua força nacional, enquanto a sintonia comunitária sustenta sua relevância coletiva.
Como jornalista especialista em assessoria de comunicação e pesquisadora em educomunicação, vejo o rádio como uma tecnologia social viva. Ele educa sem formalidade, informa com proximidade, comunica com humanidade e constrói autoridade sem distanciamento. A educomunicação, enquanto campo de prática e pesquisa, fortalece espaços comunicativos que estimulam o pensamento crítico, a participação social e a cidadania, valores que dialogam diretamente com a essência do rádio como meio formador e democrático.
Para marcas, profissionais e instituições, o rádio continua sendo um dos meios mais potentes de posicionamento, visibilidade e construção de confiança pública. Em tempos de excesso de imagens e ruídos digitais, a voz segue sendo ponte. Algumas mídias apenas resistem. O rádio evolui, se reinventa e permanece. E, por isso, segue essencial.


