Chegou fevereiro, e o ano começa a engrenar para acelerar após o carnaval. E esse cenário não é apenas cultural. Por mais que a gente planeje para evitar um vale nesse período, as contas do final do ano e as despesas do início batem à porta do consumidor, e alguns segmentos sofrem bastante com essa sazonalidade. Mas já, já chegarão os picos, e o mercado começa a reagir e a preparar seus quadros de gente, reforçar os times de vendas, marketing e trade para os desafios do ano.
É uma época em que a gente presencia fortemente a “dança das cadeiras”, com empresas e profissionais buscando perfis e vagas que melhor se adequem às suas necessidades no momento. Esse movimento é do jogo e, muitas vezes, é salutar, mas temos presenciado um gap no mercado: vagas abertas sem encontrar quem as preencha e, por outro lado, profissionais se candidatando às vagas, mas sem sucesso. Onde está o descasamento?
É aqui que a gente traz para essa nossa conversa a figura que o mercado tem valorizado cada vez mais nos eixos Rio-São Paulo e que, no mercado da nossa Fortal, não é diferente: o nexialista. Van Vogt, em seu livro de ficção The Voyage of the Space Beagle, lançado em 1950, narrava o personagem que fazia a diferença frente aos cientistas renomados que estavam a bordo de uma nave espacial, porque conseguia conectar conhecimentos distintos para solucionar os problemas que surgiam, diferentemente dos especialistas, que se prendiam a uma única área do saber. O exemplo da ficção foi trazido para a realidade e hoje é aplicado ao mundo dos negócios. Sobretudo para quem almeja uma trilha de sucesso e tem vocação para liderança e gestão, o profissional nexialista é sonho de contratação de todo RH e CEO.
A explicação é muito simples, soa quase óbvia: não existe mais resposta fácil no cenário atual. Não existe o tiro de canhão que vai resolver todos os problemas, nem tampouco a bala de prata sendo criada todo dia no portfólio. Os desafios e problemas contemporâneos estão cada vez mais complexos e exigindo de nós respostas rápidas, uma equação que, por vezes, é difícil de equilibrar.
Nesse contexto, cai como uma luva ter no time os chamados “nexialistas”: profissionais capazes de ler, compreender e conectar o cenário 360º, mas que, quando necessário, conseguem aprofundar para solucionar o problema identificado. Ou seja, um generalista que atua como especialista quando necessário, alguém com habilidade para uma visão horizontal e capacidade de atuação em uma vertical específica.
Trazendo para a realidade do marketing, como pensar comunicação, por exemplo, sem estar conectado com vendas? Como propor um produto ou serviço sem analisar os custos envolvidos, a operação e o que isso vai deixar para o negócio no fim do dia? Como pilotar uma marca sem ser capaz de dizer, claramente, como ela impacta o negócio? Nem pensar! Gosto de dizer que marketing funciona quando impacta na última linha, porque é isso que faz ganhar o jogo.
Profissionais encastelados, grandes autoridades nas suas verticais de atuação, têm perdido cada vez mais espaço para o nexialista, que soma e auxilia o todo nas adversidades. Profissional que não soma, some. Você não é do time comercial da empresa e não ajuda a vender? Tá errado, porque o comercial vende e todo o resto está no negócio para ajudar a vender. Ou vende ou ajuda a vender: só existem esses dois blocos; todo o resto é desnecessário. Peter Senge, lá em A Quinta Disciplina – se não leu, leia! -, já falava sobre a necessidade da visão sistêmica como a pedra angular, a chave para o sucesso da organização.
A boa notícia é que o nexialismo é uma habilidade que pode ser adquirida, é treinável. Escute mais, observe mais, viaje mais, saia mais, leia mais, exponha-se mais, permita-se mais e esteja cada vez mais presente – e em presença. Repertório é ouro, e você mesmo pode se dar isso.


