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Cannes Lions 2026 reforça protagonismo brasileiro, mas revela um mercado em transformação

Por Redação

26/06/2026 17h00

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Maior festival de criatividade do mundo chega à reta final com 61 Leões para o Brasil e campanhas que mostram como criatividade e impacto social passaram a dividir o centro do palco

Durante uma semana por ano, a cidade francesa de Cannes deixa de ser apenas um dos destinos mais conhecidos da Riviera Francesa para se tornar o principal palco da criatividade mundial. É lá que acontece o Cannes Lions International Festival of Creativity, considerado a maior premiação da publicidade global e um dos eventos mais relevantes para agências, marcas, produtoras e empresas de tecnologia.

Mais do que reconhecer campanhas, o festival funciona como um retrato da indústria da comunicação. As peças premiadas costumam indicar os caminhos que o mercado seguirá nos próximos anos, reunindo trabalhos que combinam criatividade, estratégia, resultados de negócio, inovação e impacto cultural. Ao longo das décadas, Cannes também acompanhou a própria transformação da publicidade, incorporando categorias dedicadas a creators, commerce, inteligência artificial, dados, design e experiências de marca.

Entre os mercados que mais ajudaram a construir essa história está o Brasil. Desde os primeiros Leões conquistados pelo país, a publicidade brasileira consolidou uma reputação internacional baseada na criatividade e na capacidade de transformar contextos culturais em campanhas capazes de dialogar com públicos de diferentes partes do mundo.

Essa trajetória fez com que o Brasil se tornasse presença constante entre os países mais premiados do festival. O recorde histórico permanece sendo o de 2013, quando o mercado nacional conquistou 115 Leões. Desde então, o país continua figurando entre os protagonistas da premiação, mesmo diante de um cenário cada vez mais competitivo e de categorias que refletem as rápidas mudanças da indústria.

Em 2026, o Brasil chega à reta final do festival com 61 Leões conquistados, sendo dois Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e 26 Bronzes. O resultado ainda fica abaixo dos 95 troféus registrados em 2025, mas confirma uma mudança importante no perfil das campanhas brasileiras premiadas. Se antes o destaque estava concentrado nos filmes publicitários tradicionais, hoje os reconhecimentos se espalham por áreas ligadas à experiência, creators, comércio, tecnologia e efetividade.

Destaques do Brasil em 2026

O principal case brasileiro desta edição é “Podia ser uma Heineken”, criado pela LePub São Paulo em parceria com o escritório da agência em Milão. A campanha conquistou nove Leões, incluindo o Grand Prix de Social & Creator, além de Ouros em Media, Direct, Outdoor e Brand Experience & Activation. O trabalho colocou a LePub na liderança entre as agências brasileiras e fez da Heineken a marca nacional mais premiada do festival.

O segundo Grand Prix veio com “Cupom em Campo”, desenvolvido pela Gut São Paulo para o Mercado Livre. A campanha aproveitou a chegada da marca à Mercado Livre Arena Pacaembu para transformar o próprio gramado do estádio em uma mídia inédita. As tradicionais faixas do campo deram lugar a um código de barras de 104 metros de largura, que podia ser escaneado pelos torcedores para desbloquear um cupom de 25% de desconto. A iniciativa mostrou como criatividade e experiência podem ampliar o potencial dos naming rights ao transformar um dos elementos mais emblemáticos do futebol em uma ação de comunicação integrada à experiência do público.

O último dia de premiações ainda reservou um dos principais reconhecimentos do festival para o Brasil. A campanha “Nigrum Corpus”, criada pela Artplan para o Idomed e o Instituto Yduqs, conquistou o Grand Prix de Glass, uma das categorias mais relevantes do Cannes Lions por reconhecer trabalhos que promovem equidade e transformação social. O case já havia se destacado na edição de 2025, quando recebeu o Grand Prix de Industry Craft, além de dois Ouros e um Bronze. Neste ano, voltou atualizado ao festival para disputar novas categorias e encerrou sua trajetória com mais um Grand Prix e um Leão de Bronze em Creative Data, reforçando sua relevância no cenário internacional.

Entre os destaques brasileiros também aparece “Pedigree Caramelo”, da AlmapBBDO para Pedigree. Depois de conquistar quatro Leões, incluindo um Titanium, em 2025, a campanha voltou ao festival para disputar categorias nas quais ainda não havia sido inscrita e conquistou mais cinco troféus, entre eles Ouro em Creative Effectiveness. Já a Droga5 garantiu Ouro com “Limpa Nome”, criado para Cif, reforçando o bom desempenho brasileiro em Brand Experience & Activation.

A tecnologia também esteve entre os projetos reconhecidos. O Magazine Luiza recebeu Bronze com “Uma Agente Como a Gente”, criado pela Ogilvy, que utiliza inteligência artificial para realizar toda a jornada de compra pelo WhatsApp da Lu. O reconhecimento mostra como soluções de IA e comércio conversacional passaram a ocupar espaço relevante entre as campanhas premiadas em Cannes.

O Brasil ainda marcou presença em iniciativas de impacto social e produção audiovisual. A campanha “Cover It“, da Africa Creative para o UNAIDS Brasil, conquistou Bronze ao utilizar o funk como ferramenta de conscientização sobre prevenção ao HIV. 

Paralelamente ao festival, o diretor Willy Hajli e o artista Poeta Visual receberam Ouro no Young Director Award pelo videoclipe Castelos & Ruínas, do rapper BK’, ampliando o reconhecimento internacional da produção criativa brasileira.

Com o encerramento oficial do Cannes Lions 2026, o Brasil finaliza sua participação entre os países de maior destaque da premiação. Ao longo da semana, o mercado brasileiro conquistou 62 Leões, sendo 3 Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e 26 Bronzes, com campanhas que passaram por diferentes categorias e evidenciaram a diversidade criativa da publicidade nacional. Mesmo abaixo do desempenho registrado em 2025, quando o país terminou o festival com 95 troféus, o resultado reafirma a presença constante do Brasil entre os protagonistas da maior celebração mundial da criatividade.