Mercado

Da China para o Brasil: o futuro do varejo passa por tecnologia, dados e novas parcerias

Por Redação

26/06/2026 15h45

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Painel do Congresso Abrasce mostra como ecossistemas digitais chineses dominam 6 dos 10 maiores marketplaces do mundo e afirma: o que aconteceu com os carros elétricos acontecerá com outros setores

A China é hoje o maior laboratório de inovação do varejo mundial. Seus ecossistemas digitais dominam seis dos dez maiores marketplaces do planeta, lideram o avanço do live commerce, da inteligência artificial aplicada ao consumo e da robótica industrial. E o Brasil precisa se aproximar dessas empresas antes que elas cheguem como concorrentes. O recado foi dado durante o painel China e o Novo Varejo, realizado no segundo dia do 19º Congresso Internacional de Shopping Centers, em São Paulo.

Alberto Serrentino, da Varese Retail, mostrou como empresas como Alibaba, Tencent, JD.com e ByteDance construíram ecossistemas capazes de escalar negócios em múltiplos setores simultaneamente, com clientes e dados no centro e tecnologia embarcada em todos os processos. O aviso foi direto: “O que aconteceu com os carros elétricos acontecerá com vários outros setores da economia”. Marcas chinesas já respondem por aproximadamente 30% do mercado de veículos no Brasil em menos de dois anos de presença relevante.

Guga Schifino, da FFX, apresentou os resultados da Missão Ásia, uma das ações que marcam os 50 anos da Abrasce, que levou 27 executivos do setor de shopping centers a cinco cidades e 15 empreendimentos na China ao longo de 12 dias. Entre os aprendizados, destacou três movimentos que os shoppings brasileiros precisam incorporar:

  • – Usar as câmeras de segurança não apenas para vigilância, mas para entender o comportamento do consumidor dentro do empreendimento e orientar decisões operacionais e comerciais.
  • – Buscar parcerias com empresas chinesas em vez de aguardar que elas cheguem como concorrentes.
  • – Ressignificar os espaços físicos como geradores de experiências memoráveis que o ambiente digital não consegue replicar.

Fernando Penna, head da Tencent Cloud no Brasil, apresentou as iniciativas da companhia no país. A empresa já opera três data centers no Brasil e prevê abrir mais dois até o fim de junho, totalizando cinco unidades. Penna também demonstrou o sistema de pagamento por palma da mão, o Palm Pay, que combina reconhecimento da geometria da mão, veias e corrente sanguínea para autenticar transações sem necessidade de cartão ou celular. A tecnologia já está em uso no metrô de Brasília e em fase de implantação no varejo nacional, com negociações em andamento com redes de shopping centers.

O painel foi mediado por Fabrício Julião, editor adjunto da CNN Infra. “A pergunta não é se a China vai impactar o varejo brasileiro. Ela já está impactando. A pergunta é: como o setor vai se posicionar diante disso?”, resumiu.