De que adianta a pipoca?

Por Redação

27/07/2026 17h45

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Há alguns dias passei por uma experiência bastante frustrante com uma empresa de renome em nosso estado. Fui até o Centro de Distribuição buscar um produto que havia comprado e, ao chegar, fui muito bem recebida.

A atendente, educada e cortês, conferiu minha nota, verificou o pedido, pegou meu nome e me ofereceu pipoca.Uma pipoca gostosa, quentinha e crocante. Sentei e esperei. 10 minutos. 20 minutos. 30 minutos. 40 minutos. Nada do produto. Perguntei se havia alguma previsão. Talvez mais uns 20 minutos.

Quando completei uma hora de espera, fui embora. Sem o produto e, claro, frustrada com a experiência.
No caminho, fiquei pensando na pipoca. De que adianta a pipoca se o básico não funciona?

Falamos muito sobre experiência de marca. Sobre surpreender, encantar, criar momentos memoráveis. E as empresas têm investido nisso. Tem café, mimo, ambiente bonito, mensagem personalizada, cheiro, música e, claro, pipoca. Tudo isso importa. O problema é quando o esforço para encantar se torna maior do que o esforço para entregar.

Eu não fui até lá comer pipoca. Fui buscar um produto que havia comprado. Parece óbvio, mas essa pequena experiência diz muito sobre branding. Marca não é apenas aquilo que uma empresa quer que as pessoas percebam sobre ela. É, principalmente, aquilo que elas experimentam quando entram em contato com ela. É fácil construir um discurso sobre agilidade, excelência, cuidado ou proximidade. Difícil é fazer com que essas palavras apareçam na operação, nos processos e, principalmente, na vida do cliente.

Talvez por isso, antes de pensar em como surpreender, as marcas precisem voltar a uma pergunta bem menos sofisticada: estamos entregando bem aquilo que prometemos? Porque existe uma diferença entre encantar e compensar.

Quando o essencial funciona, a pipoca é cuidado, é gentileza, é experiência. Quando não funciona, é só pipoca. E, naquele dia, eu preferia ter saído de lá sem pipoca. Mas com o meu produto.

Céu Studart
Consultora de Marketing e Branding e Fundadora da Desencaixa Branding
Céu Studart é proprietária da Desencaixa Brading, onde realiza consultoria estratégica para marcas de vários segmentos e treinamentos. É estrategista de branding com mais de 20 anos de experiência no mercado. Foi embaixadora do Rock in Rio Academy by HSM (2019) e mentora do Founder Institute – Nordeste Virtual (2021), uma incubadora de negócios americana, fundada em Palo Alto, Califórnia (EUA). É publicitária. Especialista em Marketing (FGV) e Mestre em Marketing (UFC). Além da Desencaixa Branding, é também docente da graduação e pós-graduação, com mais de 17 anos de experiência, em cursos de graduação e pós-graduação, já tendo capacitado mais de 6000 profissionais.