4ª edição - Brasília

Entrevista | Entre dados, decisões e pessoas: a visão de Rafael Borela sobre negócios sustentáveis

Por Redação

24/02/2026 13h35

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Em meio a métricas, dados e velocidade, Rafael Borela sustenta uma visão complementar: as decisões mais estratégicas continuam sendo humanas. Para o CEO da Streetmedia Comunicação, tecnologia traz contexto e eficiência, mas é a combinação entre escuta, cultura e confiança que transforma negociações em relações, e resultados em negócios sustentáveis.

NOSSO MEIO | Quase duas décadas de atuação comercial trazem muitos aprendizados. Qual foi o desafio mais decisivo para moldar a forma como você conduz os negócios hoje?

Rafael Borela: O maior desafio foi entender, na prática, que resultado sustentável não vem só de execução, mas de gente. No começo da carreira, como acontece com muita gente da área comercial, eu acreditava muito na força individual, no desempenho quase heróico. Com o tempo, e após alguns erros importantes, aprendi que liderança é muito mais sobre criar ambiente do que cobrar performance.

Tenho a convicção de que cultura não é discurso: é decisão diária. É quem você desenvolve, quem você promove e os comportamentos que você reforça no dia a dia. Isso mudou completamente a forma como eu atuo.

NOSSO MEIO | O que mais mudou na sua visão de negociação e relacionamento com clientes ao longo da carreira?

Rafael Borela: O que mais mudou foi a forma de escutar e de preparar as decisões. Hoje, dados e inteligência artificial ajudam muito a entender cenários, comportamentos e tendências, mas a negociação continua sendo, essencialmente, uma relação entre pessoas. A tecnologia traz contexto, previsibilidade e eficiência. O fator humano traz leitura, empatia e confiança. Quando esses dois mundos se encontram, a negociação deixa de ser reativa e passa a ser estratégica.

NOSSO MEIO | Quais mudanças de mercado mais exigiram adaptação e que lições ficaram?

Rafael Borela: A digitalização e a fragmentação do consumo de mídia. As pessoas passaram a consumir conteúdo de forma muito mais distribuída, em múltiplas plataformas, formatos e pontos de contato — do digital tradicional a meios como o DOOH, que conectam dados, contexto e presença física. Isso exigiu uma adaptação profunda de agências, anunciantes e modelos tradicionais de planejamento.

Ao mesmo tempo, ainda existe um descompasso relevante entre onde o público está e onde o investimento acontece. O consumo digital e multiplataforma avançou mais rápido do que a capacidade de adaptação de processos, métricas e decisões de investimento.

A principal lição foi entender que não basta estar presente nos novos meios. É preciso integrar plataformas, repensar estratégias e tomar decisões mais conectadas ao comportamento real das pessoas. Quem consegue fazer essa leitura com consistência sai na frente.

NOSSO MEIO | Você costuma dizer que grandes negócios começam com confiança. Como isso se manifesta na prática?

Rafael Borela: Confiança se constrói com presença e transparência. Estar disponível, cumprir o que foi combinado, ser claro nas expectativas e assumir erros quando eles acontecem.

Na prática, isso significa estar perto do time e dos clientes nos momentos difíceis, não só nas vitórias. Significa comunicar com honestidade, ouvir mais do que falar e entender que reputação se constrói em silêncio, no dia a dia.

NOSSO MEIO | Em momentos de adversidade, quais atitudes pessoais fizeram mais diferença?

Rafael Borela: Manter os valores foi o que mais fez diferença. Em momentos difíceis, é tentador tomar decisões que aliviam a pressão no curto prazo, mas que cobram um preço alto depois. Aprendi a usar esses períodos como um teste de coerência.

A adversidade também tem um papel importante de amadurecimento. Ela obriga a desacelerar, rever escolhas e entender melhor quem você é e no que realmente acredita. Esses momentos são oportunidades de crescimento, de ajuste de rota e de fortalecimento pessoal, mesmo quando o processo não é confortável.

NOSSO MEIO | Como você equilibra decisões rápidas com decisões responsáveis?

Rafael Borela: Eu tento separar urgência de importância. Nem tudo que é barulhento é, de fato, estratégico. Decisões rápidas só funcionam quando existe clareza de princípios. Quando os valores estão bem definidos, a decisão flui com mais segurança. Quando não estão, qualquer decisão vira um risco.

NOSSO MEIO | Como você define hoje a sua missão como CEO?

Rafael Borela: Entendo que minha missão é criar clareza. Clareza de direção, de prioridades e de valores. Em mercados complexos e em constante mudança, as pessoas precisam saber para onde estão indo e por que estão indo.

Eu vejo meu papel muito ligado a formar líderes, desenvolver pessoas e garantir que a cultura seja vivida no dia a dia, não apenas comunicada. Estar próximo do time, provocar boas perguntas e sustentar decisões difíceis quando necessário.

Quando a liderança faz isso bem, o negócio cresce de forma mais saudável, com mais consistência e menos dependência de soluções de curto prazo.