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IA custa caro quando os dados não estão prontos, alertam Aço Cearense e M. Dias Branco no lançamento da 20ª edição do Nosso Meio

Por Redação

27/10/2026 17h10

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Almoço executivo que marcou o lançamento da 20ª edição impressa do Nosso Meio, “O valor da presença”, reuniu mais de 80 executivos para debater tecnologia, dados e gestão de pessoas

Na indústria, a transformação digital costuma ser medida em sistemas implantados, processos automatizados e investimentos em inteligência artificial. No painel “Pessoas e máquinas: a equação da indústria”, promovido pelo Nosso Meio nesta terça-feira (27), em Fortaleza, a variável que mais apareceu na conversa foi outra: as pessoas.

O almoço executivo em Fortaleza marcou o lançamento da 20ª edição impressa do Nosso Meio, que tem como tema “O valor da presença”, e reuniu mais de 80 executivos e tomadores de decisão do mercado do Nordeste. Conduzido por Fernando Hélio Martins Brito, diretor do Nosso Meio, o painel teve como convidados Cinthia Cavalcanti, diretora de TI e Transformação Digital do Grupo Aço Cearense, e Rafael Lima, diretor executivo de TI da M. Dias Branco. As duas companhias estão entre as maiores indústrias do Ceará. O Grupo Aço Cearense atua da distribuição à siderurgia, com operações no Ceará, no Pará e no Tocantins, e a M. Dias Branco soma 22 fábricas e leva seus produtos a mais de 40 países.

Tecnologia a serviço do negócio

Ao abrir a conversa, Rafael descreveu como enxerga o papel da área de tecnologia em uma companhia desse porte. “Tenho procurado entender as dores do negócio e como a tecnologia pode acelerar os resultados. Um desafio e uma oportunidade de se reinventar”, afirmou.

O executivo contou os bastidores da integração de sistemas da M. Dias Branco. A companhia chegou a operar com 120 sistemas diferentes e hoje apura a margem de cada produto já no quinto dia útil do mês, uma conta que antes levava cerca de dois meses. Para ele, o ganho vai além da velocidade da informação. “Com a tecnologia, deixei de fazer autópsia e passei a corrigir o mês no meio do mês”, disse. Ainda assim, Rafael lembrou que nenhuma implantação se completa sem as equipes. “Mais importante que o sistema rodando é as pessoas adaptadas com ele.”

Cinthia seguiu na mesma linha ao tratar da condução das mudanças. “Precisamos planejar a implementação das tecnologias. Precisamos olhar para condução e garantir que as pessoas estejam nesse processo”, afirmou.

Dado, intuição e a arrumação da casa

A relação entre números e julgamento humano foi um dos pontos centrais do debate. Em entrevista publicada na nova edição da revista, Cinthia afirma que não dá mais para gerir por intuição isolada. No painel, ela mostrou como os dois caminhos se complementam. “O dado mostra que a intuição pode ser direcionada para um melhor resultado”, disse. A executiva também lembrou um momento em que o grupo apostou contra as estatísticas. “Os dados diziam na época que não se vendia aço pela internet. Mas apostamos nisso e conseguimos ter resultados, o que os dados não apontavam.”

Rafael chamou atenção para a etapa que costuma ser deixada de lado na adoção da inteligência artificial: a preparação da base de informações. “O importante é saber o que você tem de dados e o quanto é confiável”, afirmou. Segundo ele, é nesse ponto que muitos projetos perdem valor. “A IA custa caro quando não entrega valor, isso acontece por negligenciarmos a primeira etapa de preparação.”

Ao resumir sua visão, o executivo apontou quatro pilares para qualquer transformação: “pessoas, dados, processos e tecnologia”. Cinthia completou com um alerta sobre foco. “Quando tudo é prioridade, nada é prioridade.”

Menos cortes, novos perfis

Questionados sobre o receio de que a tecnologia elimine postos de trabalho, os dois executivos falaram em requalificação. “Não vamos reduzir o número de profissionais, mas o perfil dos profissionais irá mudar. A competência da tecnologia tem sido um diferencial na contratação de novos profissionais”, afirmou Cinthia. Rafael seguiu na mesma direção. “Não precisa tirar o capital humano, podemos aumentar as skills dos nossos profissionais.”

Para o diretor da M. Dias Branco, o protagonismo continua com as equipes. “As pessoas são agentes de transformação”, disse. “O que move os negócios são as pessoas.” Em sintonia com o tema da edição lançada no encontro, ele também comentou o papel das reuniões em um ambiente cada vez mais digital. “No mundo da tecnologia a reunião não pode ser utilizada somente para passar informação.”

Uma geração que já chega digital

A formação de novos profissionais ganhou espaço na reta final da conversa. Cinthia contou que tem aprendido com quem está chegando ao mercado. “Eu tenho aprendido muito com a geração Z. Precisamos ter humildade para ouvir também. E fazer uma mentoria reversa.” Para ela, “a IA vai mudar as operações. E os jovens já vem com essa mudança embutida, entendendo quais processos podem mudar”.

Rafael concordou, com uma ressalva. “O que mudou para os jovens com a tecnologia foi o ponto de partida”, afirmou. “A empolgação dos jovens precisa ser guiada.”

Talento que fica na região

No encerramento, os executivos falaram sobre o que gostariam de ver no ambiente de negócios do Nordeste nos próximos anos. Cinthia citou a chegada do Grupo Aço Cearense ao Porto Digital, em Recife, por meio da OCA Lab, braço de tecnologia e transformação digital do grupo. “Estamos fazendo parte do Porto Digital com a OCA Lab. Estamos em um ambiente de inovação e gerando mão de obra qualificada.”

Rafael apontou a retenção de talentos como meta. “Precisamos investir no nosso potencial e fomentar o treinamento entre os nossos times. Eu quero em 5 anos não perder profissionais para outro mercado, concentrando no mercado regional esses talentos.”