Por Jorge Gloss, diretor de Marketing da JOVI
Nos últimos anos, o consumidor brasileiro passou por uma das transformações comportamentais mais profundas quando se trata da relação com tecnologia. Se antes o preço era o grande determinante de escolha, hoje a decisão é muito mais complexa e envolve fatores como confiabilidade, durabilidade, pós-venda e a capacidade do produto de acompanhar a vida real do usuário. Essa mudança aparece de forma nítida nos dados da pesquisa Tecnologia Chinesa 2025, conduzida pela Ipsos sob encomenda da JOVI – marca chinesa de smartphones criada exclusivamente para o Brasil pela vivo Mobile Communication Co., Ltd. Os dados mostram que 86% dos entrevistados afirmam que o pós-venda é determinante na escolha de um smartphone, e 37% mantêm o mesmo aparelho por mais de dois anos. É um consumidor que não busca apenas comprar — ele investe em um smartphone.
Esse novo comportamento tem implicações diretas para as marcas que atuam no mercado brasileiro. A percepção não é mais guiada somente por especificações técnicas, mas por um conjunto de atributos que se conectam à experiência de uso. A lista de prioridades inclui bateria que dure mais de um dia, resistência a quedas, fotos realmente boas (e não apenas cheias de recursos), e um suporte que resolva problemas com eficiência. Tudo isso mostra que o brasileiro está avaliando tecnologia com um olhar mais estratégico, consciente e maduro.
Outro ponto relevante é a mudança de percepção sobre a tecnologia produzida na China. Segundo a mesma pesquisa, 69% dos brasileiros têm visão positiva sobre produtos tecnológicos chineses, e 74% acreditam que a qualidade desses produtos melhorou nos últimos cinco anos. Esse número revela um avanço cultural importante: a China deixou de ser vista como polo de produtos acessíveis e passou a ser associada à inovação, especialmente em áreas como baterias, fotografia e durabilidade. Não por acaso, 42% dos entrevistados consideram o país referência em baterias potentes — uma demanda especialmente sensível no Brasil, onde sete em cada dez pessoas já ficaram sem bateria em um momento importante.
Esse movimento representa um novo território competitivo para as marcas. Entregar inovação pela inovação já não basta; é preciso entregar relevância. O consumidor espera que a tecnologia faça sentido no seu cotidiano, resolva suas dores e amplifique seus momentos. Pesquisas anteriores conduzidas no setor mostram que, para o brasileiro, a câmera é mais que um recurso técnico — é parte da construção de identidade, de expressão e de memória emocional. Não surpreende que 64% dos entrevistados priorizem a qualidade geral das fotos acima de especificações como zoom ou inteligência artificial.
O que esse cenário nos ensina é que estamos entrando em uma fase em que marketing, produto e experiência se tornam inseparáveis. O branding não está apenas no discurso: está no funcionamento da bateria, na solidez do aparelho na mão, no atendimento acessível quando algo dá errado. Para marcas que desejam permanecer relevantes no Brasil, esse contexto exige não só ouvir, mas compreender profundamente o que o consumidor valoriza — e agir com base nisso.
Nos últimos anos, algumas empresas, incluindo a própria JOVI, têm investido em pesquisas aprofundadas sobre o comportamento brasileiro justamente para desenvolver produtos e serviços alinhados a essa evolução. Não se trata de trazer tecnologia ao país, mas de criar tecnologia para o país. Marcas que adotam esse caminho ganham mais que consumidores — ganham confiança, recorrência e relevância cultural.
Estamos diante de um momento em que o consumidor brasileiro dita o ritmo da transformação do setor. Ele é mais crítico, mais informado e mais consciente do que representa investir em tecnologia. Esse cenário abre oportunidades para marcas que estiverem dispostas a repensar seus processos e ampliar sua escuta ativa. As que fizerem isso com consistência não serão apenas preferidas — serão necessárias.


