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O Brasil que cresce fora do eixo: oportunidades de comunicação nos mercados regionais

Por Redação

21/03/2026 10h00

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Por Elias Tahim, diretor do Grupo Urb e da Samba Estratégia

Durante décadas, o planejamento de marketing no Brasil foi desenhado olhando quase exclusivamente para um eixo geográfico muito específico, composto por São Paulo, Rio de Janeiro e, em menor escala, Brasília. Mas quem vive o mercado no dia a dia percebe algo cada vez mais evidente: o Brasil real está crescendo em muitas outras direções.

Como diretor de mercados regionais do Grupo Urb, atuando diretamente em estados como Piauí, Maranhão, Alagoas, Pará e Amazonas, tenho acompanhado de perto uma transformação econômica e urbana que ainda recebe pouca atenção proporcional no planejamento de muitas marcas nacionais. Esses estados possuem hoje vetores econômicos muito claros.

O Pará, por exemplo, é hoje um dos principais motores econômicos do Norte. Impulsionado pela mineração, pela cadeia logística e pelo agronegócio, o estado tem registrado um crescimento consistente nos últimos anos, acompanhado de investimentos relevantes em infraestrutura, exportação e ampliação da capacidade portuária.

O Amazonas mantém forte protagonismo industrial por meio da Zona Franca de Manaus, ao mesmo tempo em que começa a consolidar um ecossistema crescente ligado à tecnologia, inovação e bioeconomia, ampliando sua diversificação econômica.

No Piauí, um estado que historicamente aparecia pouco no radar de investimentos nacionais, o avanço do agronegócio na região MATOPIBA (composta por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) tem transformado profundamente o perfil econômico local. Nos últimos anos, o estado tem apresentado taxas de crescimento acima da média brasileira, impulsionadas pela expansão da produção agrícola, novos investimentos logísticos e aumento do consumo interno.

O Maranhão ocupa uma posição logística estratégica no país. Com portos relevantes como o Porto do Itaqui, o estado se consolidou como um importante corredor de exportação de grãos e commodities, fortalecendo sua economia e ampliando sua relevância no comércio exterior brasileiro.

Já Alagoas vive um momento particularmente interessante de expansão econômica. O crescimento do turismo, a valorização imobiliária e o fortalecimento do setor de serviços têm impulsionado a economia local, especialmente em Maceió, que hoje figura entre os destinos turísticos mais desejados do Brasil.

É claro que, quando falamos em mercados regionais, algumas capitais do Nordeste já estão plenamente consolidadas no radar das grandes marcas. Fortaleza, Recife e Salvador, por exemplo, há bastante tempo são reconhecidas como grandes centros consumidores, com economias robustas, mercados publicitários estruturados e presença constante nas estratégias nacionais de comunicação. O que começa a acontecer agora, no entanto, é um movimento complementar: outras capitais e estados dessas regiões passam a ganhar protagonismo econômico e relevância crescente para o marketing.

Quando olhamos para esses números, percebemos algo importante: não estamos falando de mercados periféricos, mas de economias regionais relevantes e em franca expansão. Outro ponto que chama atenção nesses estados é a transformação urbana. Capitais como Belém, Manaus, Teresina, São Luís e Maceió vêm passando por um processo intenso de modernização. Novos shoppings, expansão imobiliária, verticalização, crescimento do varejo organizado, aumento do turismo e maior circulação de capital têm transformado essas cidades em polos de consumo cada vez mais sofisticados. Isso cria um desafio interessante para o marketing, pois não basta replicar campanhas pensadas para o eixo Sul-Sudeste. É preciso dialogar com a realidade local.

Nesse contexto, uma coisa fica muito clara para quem trabalha com comunicação nesses mercados: as cidades estão mais vivas do que nunca. A vida urbana acontece nas ruas, nos deslocamentos, nos centros comerciais, nos edifícios residenciais e nos polos de consumo. E é justamente nesses momentos de circulação cotidiana que as marcas têm uma oportunidade poderosa de se conectar com as pessoas.

Formatos de mídia que fazem parte da jornada urbana, presentes em avenidas, elevadores, shoppings e áreas de grande fluxo, acabam se tornando ferramentas extremamente eficientes para construção de presença e lembrança de marca. Mais do que impacto isolado, o que realmente faz diferença nesses mercados é a frequência, proximidade e presença constante no cotidiano das pessoas.

Um dos erros mais comuns que ainda vejo no planejamento de muitas campanhas nacionais é tratar esses estados como simples extensões de estratégias pensadas em outras regiões. Na prática, isso faz com que muitas marcas deixem de aproveitar oportunidades reais de crescimento. Em diversas cidades dessas regiões, vemos o varejo aquecido, a expansão imobiliária, o crescimento do turismo e novas gerações de consumidores entrando na economia formal. Isso significa mais consumo, mais circulação e mais disputa por atenção de marca.

O crescimento populacional, a expansão das cidades médias, os investimentos logísticos e o avanço do agronegócio estão redesenhando o mapa do desenvolvimento nacional. E nesse novo mapa, os mercados regionais deixam de ser periferia e passam a ocupar posição estratégica. Para as marcas que desejam crescer de forma consistente no país, olhar com atenção para estados das regiões Norte e Nordeste não é apenas uma escolha tática, é uma decisão estratégica. O Brasil que cresce não está apenas no eixo tradicional, ele está espalhado pelo país.