Nova empresa criada por medalhistas olímpicos aposta em competições de 30 segundos e reforça uma tendência: criar modalidades pensadas desde a origem para o consumo no celular
Durante décadas, o esporte foi estruturado para a televisão. Jogos longos, transmissões ao vivo e grandes intervalos comerciais moldaram um modelo de negócio que movimenta bilhões de dólares até hoje. Mas, com a migração da audiência para o celular, uma nova geração de competições começa a surgir adaptada não à tela da TV, mas ao feed das redes sociais. Nesse cenário, a World 1 aposta em uma proposta radical: transformar disputas esportivas em eventos de apenas 30 segundos.
A empresa de entretenimento esportivo reúne dez medalhistas olímpicos entre os fundadores e pretende lançar os chamados microesportes (“microsports”), modalidades inéditas criadas para entregar o máximo de emoção no menor tempo possível. Segundo Brett Morris, CEO da World 1, a ideia é desenvolver esportes em que títulos mundiais possam ser conquistados ou perdidos em apenas meio minuto, refletindo um comportamento de consumo cada vez mais orientado por conteúdos rápidos e plataformas digitais.
Mais do que criar novas competições, a empresa propõe um novo modelo de negócios para o esporte. A avaliação da World 1 é que toda a indústria esportiva foi construída para atender à lógica da televisão, enquanto a atenção do público migrou para o smartphone. Em vez de adaptar modalidades tradicionais para vídeos curtos, a estratégia é desenvolver esportes concebidos desde o início para funcionar no ambiente digital, onde hoje se concentra boa parte dos investimentos em publicidade.
O modelo também acompanha uma mudança mais ampla no mercado do entretenimento. A empresa combina dois segmentos que vêm crescendo rapidamente: a expansão dos conteúdos audiovisuais em formato curto, que movimentam bilhões de dólares globalmente, e a demanda por eventos ao vivo capazes de gerar engajamento nas redes sociais. A monetização deve ocorrer principalmente por publicidade, patrocínios e licenciamento, aproveitando justamente o ambiente em que o público passa cada vez mais tempo.
As primeiras modalidades seguem uma lógica simples e de fácil compreensão. Em Fastest, os competidores têm até 30 segundos para registrar a maior velocidade em uma corrida de aproximadamente nove metros. Já Stronger desafia os atletas a levantar a maior carga possível combinando supino e agachamento dentro do mesmo limite de tempo. A terceira modalidade, voltada para resistência, completa a proposta inicial da empresa de identificar quem é o atleta mais rápido, mais forte e mais resistente do mundo.
Apesar da curta duração, a intenção é aproximar a experiência da intensidade dos esportes de combate. As disputas terão cinturões, títulos mundiais, rivalidades e uma estrutura competitiva desenhada para que cada prova carregue alto grau de tensão e narrativa, mesmo acontecendo em poucos segundos.
A iniciativa também reúne nomes de peso entre investidores e fundadores. Além dos medalhistas olímpicos, o projeto conta com o empresário Mark Cuban, a holding Palms Sports, de Abu Dhabi, o produtor Jim Swartz e o investidor Dan McClory. Para receber as competições, a empresa desenvolveu a World 1 Arena, uma estrutura modular que poderá ser instalada em diferentes cidades e transformada em palco para os eventos.
Mais do que lançar uma nova modalidade esportiva, a World 1 revela uma mudança de lógica. Se durante décadas o desafio era adaptar o esporte às transmissões televisivas, agora a aposta é criar competições pensadas para a economia da atenção, em que o principal ativo não é apenas o desempenho dos atletas, mas a capacidade de prender o olhar do público em poucos segundos. Nesse cenário, a disputa deixa de acontecer apenas nas pistas ou arenas e passa também pelo espaço mais concorrido da atualidade: a tela do celular.
