Por Laura Passos, Presidente ABAP-BA e Presidente Engenhonovo
Ao refletir sobre o que explorar nesse artigo, pensei em vários caminhos. Poderia relembrar a importância histórica da Bahia como celeiro de grandes nomes da propaganda brasileira. Poderia destacar que há mais de 25 anos uma mulher não ocupava a presidência dessa associação. Mas escolhi trazer outro ponto: a urgência da importância da regionalização da comunicação.
Esse debate não é novo. Alguns anos atrás, a ABAP, em parceria com o Sinapro, realizou um estudo que demonstrava o impacto positivo que uma redistribuição mais equilibrada das verbas federais de propaganda, oriundas licitações de entes públicos e autarquias, poderia gerar nas economias regionais. Se esses investimentos fossem repartidos de forma mais justa entre os estados, não apenas fortaleceriam o setor, mas impulsionariam cadeias produtivas inteiras, ampliando consumo e gerando renda.
Existe uma antiga batalha pela regionalização na comunicação. E quero deixar claro que o olhar que quero trazer não recai sobre nenhum conceito de reparação, ou cota para inclusão. Tão pouco o óbvio tema da necessidade de regionalizar as linguagens e culturas locais. Quero abordar um conceito econômico. Quando olhamos para o Brasil, um país continental, é frustrante saber que apenas a região de São Paulo mantém uma concentração de praticamente todos os tipos de investimentos. E infelizmente isso tem piorado. Temos visto anunciantes aqui da Bahia, saindo para ser atendido por empresas de São Paulo. Isso vem matando os mercados locais. E não falo só de agências de publicidade. Me refiro a todo o ecossistema.
Precisamos valorizar o mercado local. Vamos mostrar, com fatos e resultados, a importância da propaganda na estratégia de negócios dos anunciantes e a relevância das agências de propaganda no desenvolvimento econômico. A comunicação não é custo, é investimento, e cada real aplicado no mercado baiano reverbera em toda uma cadeia de valor.
Quando uma marca que está na Bahia leva a sua verba de comunicação para São Paulo, ela tira investimento de toda uma cadeia envolvida. Não é só a agência que perde. Perdem as gráficas, as produtoras, os veículos. No final, essa marca que acaba empobrecendo o consumidor regional, que com menos dinheiro vai comprar menos do seu produto. É um paradoxo comercial não?!
