20ª edição

Artigo | Pense num ser humano presença!

Por Redação

27/10/2026 11h40

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Por Wladson Sidney, CEO Sancho Gestão de Carreiras e Presidente da ADVB/CE

Taí um ditado que faz tempo que não escuto… Tem gente que entra numa sala e o  ambiente muda.  

Você já teve um amigo desses? O tipo de pessoa que chegava e o astral do ambiente  mudava. Não pela roupa, não pelo cargo. Pela energia. O sorriso que contagiava  antes de começar a conversar, o jeito de cumprimentar como se aquele fosse o  momento mais importante do dia, a elegância no gesto de chegar até você. Você se  lembrava dessa pessoa sem precisar ver o feed.  

Antigamente se dizia que ela “era presença.” E todo mundo sabia o que isso  significava.  

Hoje quando a gente fala em presença, o primeiro pensamento é sobre consistência de  posts, frequência de stories, engajamento de reels, artigo no LinkedIn, cadência de  envio de email… A palavra migrou de descrição de energia para métrica de  plataforma. E nesse processo, criou-se um problema.  

A presença digital versus a presença real.  

Jim Collins, no livro Built to Last, descreveu o que ele chamou de Tirania do OU: a  crença de que você precisa escolher entre A ou B, que os dois não podem coexistir ao  mesmo tempo. Eficiência ou inovação. Lucro ou propósito. Crescimento ou cultura. E ele  passou anos estudando empresas visionárias pra provar que as mais resilientes não  escolhem. Elas abraçam o que ele chamou de Gênio do E.  

Presença digital E presença real. Não uma OU outra.  

O que a presença digital faz, ela faz muito bem: te coloca em circulação, mantém você  na memória de pessoas que você não encontra todo dia, te dá alcance que nenhum  evento presencial substitui. Isso tem valor real. Quem ignora esse jogo está cedendo  espaço pra quem não tem a metade da competência que você tem.  

E o que a presença real faz, nenhum algoritmo ainda reproduziu: ela comunica  intenção no nível que só o corpo consegue. O olho que para quando você está  falando. A atenção que não divide a tela. A indicação que vem de alguém que te viu  de perto e decidiu colocar o nome dele junto com o seu.  

Em 1973, o sociólogo Mark Granovetter publicou um estudo mostrando que a maioria  das oportunidades de carreira chega através de pessoas que você conhece pouco, não  das que você conhece bem. Ele chamou isso de a força dos laços fracos. O que ativa  esses laços é a impressão que você deixa. E impressão, no sentido mais literal, ainda é  física. É como você chegou, como você ouviu, se você esteve de verdade.  

O ser humano presença do título é aquele que entende isso. Que cuida do digital sem  abrir mão do real. Que aparece nos dois mundos sem sacrificar um pelo outro. Que  sabe que o conteúdo que posta precisa ter coerência com quem ele é quando o celular  não está apontado pra ele. 

E o que une os dois mundos é sempre a mesma coisa: caráter. A disposição de ser  interessado nas pessoas, não interesseiro pelo que elas podem te dar. De recomendar  alguém sem precisar. De dizer a verdade mesmo quando o silêncio seria mais cômodo.  De aparecer nas horas inconvenientes, online e offline.  

Carrego um propósito que guia muito do que faço: tornar os competentes conhecidos.  Pra isso, os dois planos importam. A arquitetura de relevância que me interessa não é  só de feed. É a que deixa rastro nos dois ambientes. A que faz alguém lembrar de você  tanto quando abre o Instagram quanto quando está pensando em quem recomendar  pra uma oportunidade real.  

Num tempo de “pode tudo”, de conteúdo fabricado e de relacionamentos que se  medem em cliques, a coisa que ficou rara não foi a presença digital. Foi a coerência  entre quem você é nos dois mundos.  

E coisa rara tem valor.  

Pense num ser humano presença. O que você quer que as pessoas lembrem de você  quando a tela estiver desligada?