Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o mercado de franquias movimentou R$ 2,6 bilhões na Bahia no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 11,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O estado contabilizou ainda 7.528 unidades franqueadas e 64.823 empregos diretos, consolidando-se como um dos principais mercados consumidores do Nordeste.
Os números acompanham o desempenho nacional do setor, que registrou crescimento de 10,1% no primeiro trimestre deste ano e ultrapassou R$ 308 bilhões em faturamento no acumulado dos últimos 12 meses.
Os resultados refletem a força do modelo de negócios das franquias e evidenciam mudanças no comportamento do empreendedor brasileiro e no próprio desenvolvimento econômico das cidades médias.
As franquias estão mudando de CEP
Durante décadas, grandes centros urbanos concentraram a expansão das principais redes do País. Nos últimos anos, porém, fatores como a saturação de determinados mercados, custos operacionais elevados e o crescimento econômico do interior têm levado as marcas a buscarem novos territórios.
A Bahia tornou-se um exemplo desse movimento. Além do potencial consumidor da capital, cidades do interior passaram a reunir características valorizadas pelas redes franqueadoras, como crescimento populacional, fortalecimento do setor de serviços e maior disponibilidade de espaços comerciais.
Municípios como Feira de Santana, Barreiras, Vitória da Conquista, Juazeiro e Luís Eduardo Magalhães têm atraído investimentos de diferentes segmentos do varejo e dos serviços.
Não por acaso, a própria ABF tem destacado a interiorização como uma das principais tendências do franchising brasileiro nos últimos anos.
Saúde e beleza lideram o crescimento
Entre os segmentos que mais faturaram na Bahia, Saúde, Beleza e Bem-Estar aparece na liderança, movimentando R$ 843,2 milhões no primeiro trimestre deste ano. O desempenho representa um crescimento de 19,4% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça que consumidores continuam investindo em produtos e serviços associados ao bem-estar, uma tendência observada nacionalmente.
Na sequência aparecem as franquias de Alimentação – Food Service, responsáveis por R$ 358,3 milhões em faturamento e crescimento de 12,9%.
Os resultados ajudam a explicar por que segmentos ligados ao consumo cotidiano continuam sendo alguns dos mais procurados por empreendedores. São categorias que conseguem dialogar tanto com grandes centros urbanos quanto com cidades médias em expansão.
Empreender continua sendo uma alternativa
As franquias permanecem sendo uma das principais portas de entrada para quem deseja empreender no Brasil. Diferentemente dos negócios criados do zero, o modelo oferece processos padronizados, treinamento e reconhecimento prévio de marca, características que costumam reduzir parte das incertezas inerentes ao empreendedorismo.
Segundo a ABF, o franchising brasileiro já está presente em cerca de 70% dos municípios do País, evidenciando a capacidade do setor de se adaptar a diferentes realidades econômicas e perfis de consumidores.
Na Bahia, esse cenário também é impulsionado pelo aumento da oferta de crédito. Dados da Central Sicredi Nordeste mostram que a carteira de crédito destinada às pessoas jurídicas no estado alcançou R$ 134,8 milhões em maio deste ano, crescimento de 13% na comparação com o mesmo período de 2025.
As cidades médias vivem um novo momento
Nos últimos anos, cidades médias passaram a assumir um papel cada vez mais relevante na atração de investimentos privados. Custos operacionais potencialmente menores, crescimento do mercado consumidor local e melhorias na infraestrutura têm contribuído para ampliar o interesse das empresas por esses mercados.
Esse movimento pode ser observado em diferentes setores da economia baiana. Enquanto algumas cidades se destacam pelo agronegócio, outras têm fortalecido atividades ligadas ao varejo, aos serviços especializados e à tecnologia.
As franquias acompanham essa dinâmica. Em muitos casos, elas são uma das primeiras portas de entrada das grandes marcas nesses mercados, funcionando como termômetro do potencial econômico local.
O crescimento vai além dos números
O avanço do franchising na Bahia também mostra a descentralização das oportunidades econômicas no estado.
Quando uma franquia chega a uma cidade média, ela impacta diretamente na geração de empregos, na circulação de renda local e no fortalecimento do ecossistema empreendedor.
Os mais de 64 mil empregos diretos gerados pelo setor ajudam a dimensionar essa contribuição para a economia baiana.
A próxima fronteira das franquias pode estar no interior
O crescimento de 11,8% registrado pelas franquias na Bahia sugere que o setor continua encontrando espaço para expansão em um mercado cada vez mais descentralizado.
Se durante décadas as oportunidades estavam concentradas nas capitais, hoje elas parecem acompanhar o crescimento econômico de cidades médias espalhadas pelo estado.
Mais do que números positivos, o desempenho do franchising baiano revela que as grandes oportunidades já não dependem apenas dos grandes centros urbanos.
E, talvez, a próxima unidade de uma grande marca esteja menos preocupada em encontrar espaço em um shopping da capital e mais interessada no potencial que cresce quilômetros adiante.
