20ª edição

Recrutamento e Seleção | Presença no trabalho ganha novo sentido na cultura, no recrutamento e na gestão

Por Redação

27/10/2026 11h30

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Linkedin

Com o trabalho remoto incorporado à rotina, o encontro presencial assume novas funções na formação de equipes, no desenvolvimento profissional e na atuação das lideranças.

Se o trabalho pode acontecer de qualquer lugar, a pergunta passa a ser o que acontece quando as pessoas estão juntas. Com ferramentas digitais permitindo reuniões, acompanhamentos e entregas à distância, empresas precisam pensar no que o encontro presencial acrescenta à experiência de trabalho, à formação das equipes e à gestão.

Para Valéria Plata, diretora de gestão de pessoas na Direcional Engenharia, a resposta passa pela construção da cultura, que não se limita aos processos formais. “Entendo que o trabalho remoto facilita muito o deslocamento e a organização diária das pessoas, mas o encontro presencial continua tendo um papel importante na construção da cultura, porque a cultura não se forma apenas por processos e comunicações formais, ela também é construída nas interações cotidianas, na troca espontânea de ideias, na observação de comportamentos e na maneira como as pessoas enfrentam desafios juntas”.

Na avaliação de Valéria, a convivência também tem peso no desenvolvimento de quem está começando a carreira. “Quando falamos de profissionais em início de carreira, o fator presencial potencializa ainda mais, pois eles precisam criar referências, aprender com a observação. A distância, nesse caso, dificulta o engajamento e a velocidade de aprendizado”.

O tema chega ao recrutamento

A discussão sobre a presença começa antes mesmo de o profissional chegar ao escritório. Em processos seletivos, além das competências técnicas, entram em cena aspectos ligados à comunicação, colaboração e capacidade de trabalhar com outras pessoas. Para Valéria, isso exige observar comportamentos em situações que permitam ao candidato demonstrar como atua em grupo.

“É necessário avaliar como a pessoa se comunica, lida com opiniões diferentes, compartilha responsabilidades, recebe feedback e contribui para objetivos coletivos. Isso pode ser observado por meio de entrevistas por competências, perguntas sobre situações reais vividas pelo candidato, estudos de caso e dinâmicas relacionadas ao cotidiano da função”, explica.

Outro ponto está na clareza sobre a própria dinâmica de trabalho. “Também é importante apresentar com transparência, desde o início, o modelo 100% presencial e entender como o candidato se identifica com essa forma de trabalho.” A informação, nesse caso, integra o próprio processo de seleção, ao lado das atribuições e expectativas da posição.

Na Direcional, esse olhar se conecta à diversidade dos perfis buscados. “Isso não significa contratar perfis iguais, mas identificar profissionais diversos que saibam colaborar, respeitar diferenças e construir soluções em conjunto”, afirma Valéria.

Já no próximo passo, após a contratação, para que a ida ao presencial tenha sentido, a estrutura física também precisa responder às diferentes formas de interação. “O ambiente físico também precisa apoiar diferentes necessidades, com locais adequados para concentração, reuniões, trocas informais e convivência. Mas a estrutura, sozinha, não é suficiente. A qualidade da experiência depende principalmente da cultura, das relações e da atuação das lideranças”.

Quando o líder entra em cena

É justamente sobre a liderança que Wilson Sá, CEO da PWR Gestão, amplia a discussão. Para ele, o encontro presencial está diretamente relacionado à atuação do gestor na formação das equipes. “O líder que trata o encontro presencial como um extra ou obrigação, perde o principal instrumento que ele tem para formar o time e passar adiante os valores e a cultura de resultado”.

Na PWR, esse princípio aparece no chamado Momento Power. “É um alinhamento mensal que junta a empresa inteira, conectando a operação de São Paulo com a de Fortaleza. Nós abrimos os resultados, cobramos as metas, mas o palco principal ali é da cultura. É a hora de reconhecer na frente de todo mundo quem entregou resultado além dos números vivendo os nossos valores na prática”.

A mesma dinâmica, segundo Sá, também está presente na relação com clientes, especialmente em situações que exigem decisões e ajustes de rota. “Numa reunião com o cliente tem que ter dado de BI na mesa, tem que ter número, mas tem também a cobrança olho no olho, o alinhamento de expectativas, a decisão difícil que muda o rumo do negócio. É a hora de sentir o clima da sala e botar o dedo na ferida quando precisa”.

Nesse desenho, a tecnologia segue integrada à operação, mas com funções delimitadas. “A gente usa inteligência artificial, claro, mas para o que ela realmente serve: acelerar a formatação de uma planilha complexa, mastigar uma pesquisa de mercado, ganhar tempo na operação. Mas a construção de confiança, a cobrança e o ajuste de rota que faz o negócio crescer continua sendo 100% humano. Isso a gente não delega para algoritmo nenhum”.